Palestra – Ansiedade e compulsão alimentar

Palestra ministrada em Novembro de 2013

ansiedade e compulsao alimentar

Um vídeo muito bacana do grande Dr. Hewdy Lobo Ribeiro, onde ele fala sobre o transtorno de compulsão alimentar periódica:

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Abaixo um pequeno teste que pode lhe ajudar a descobrir se você come ou não compulsivamente (este teste não tem validade diagnóstica nem médica):

1. Como são feitas minhas refeições:
a
. Eu faço três refeições ao dia com apenas lanchinhos entre as refeições;
b. Quando eu faço lanches pesados tenho o hábito de pular as refeições regulares;
c. Há períodos regulares em que parece que estou continuamente comendo, sem refeições planejadas.

2. Quando eu como:
a
. Normalmente quando como é porque estou fisicamente com fome;
b. De vez em quando como alguma coisa por impulso, mesmo quando não estou realmente com fome;
c. Eu tenho o hábito regular de comer alimentos por impulso para satisfazer uma sensação de fome, mesmo que fisicamente eu não necessite de comida.

3. Como eu como:
a
. Eu não tenho nenhuma dificuldade para comer devagar e de maneira apropriada;
b. Às vezes como rapidamente, sentindo-me desconfortavelmente cheio depois;
c. Eu tenho o hábito de engolir minha comida sem realmente mastigá-la. Quando isso acontece, em geral me sinto desconfortavelmente empanturrado depois.

4. Quanto eu como:
a
. Eu raramente como tanta comida a ponto de me sentir desconfortavelmente empanturrado depois;
b. Normalmente, cerca de uma ou duas vezes por mês, como tal quantidade de comida que acabo me sentindo muito empanturrado;
c. Eu como tanta comida que, regularmente, me sinto bastante desconfortável depois de comer e, algumas vezes, um pouco enjoado.

5. Depois de abusar e comer demais:
a
. Eu não sinto qualquer culpa ou raiva de mim mesmo;
b. De vez em quando me sinto culpado depois de comer demais;
c. Quase o tempo todo sinto muita culpa ou raiva de mim mesmo depois de comer demais.

6. Quando estou de dieta e como um alimento muito calórico ou proibido que não deveria ter consumido:
a. Volto rapidamente e continuo com a dieta sem problemas;
b. Às vezes, sinto como se estivesse estragado tudo e como ainda mais;
c. Eu tenho o hábito regular de começar dietas rigorosas, mas quebro as dietas comendo muito. Minha vida parece “uma festa” ou “um morrer de fome”.

7. Quando me sinto triste, ansiosa ou com algum problema ou dificuldade:
a
. Eu não tenho o hábito de comer quando estou chateado. Raramente tenho esse comportamento;
b. Às vezes, eu como quando estou ansioso ou chateado, mas, frequentemente, sou capaz de me ocupar com outras atividades e afastar minha mente da comida;
c. Eu frequentemente como quando estou chateado. Nada parece me ajudar a parar com esse comportamento.

8. Quando estou perto de outras pessoas:
a
. Eu não me sinto constrangido com o meu peso ou o tamanho do meu corpo;
b. Às vezes, fico constrangido com minha aparência e meu peso, sentindo-me desapontado comigo mesmo;
c. Eu me sinto muito constrangido com meu peso, e, muitas vezes, tenho vergonha e desprezo por mim mesmo. Procuro evitar contatos sociais devido a este constrangimento.

9. Em situações sociais:
a
. Parece que eu como tanto quando estou com os outros, como quando estou sozinho;
b. Às vezes, quando estou com outras pessoas, não como tanto quanto eu quero comer porque me sinto constrangido com meu comportamento alimentar;
c. Frequentemente eu como só uma pequena quantidade de comida quando outros estão presentes, pois me sinto embaraçado com meu comportamento alimentar. Às vezes, escolho horas para comer demais quando sei que ninguém me verá comendo.

10. Meus pensamentos sobre comida:
a
. Eu não penso muito sobre comida;
b. Eu tenho fortes desejos por comida, mas eles só duram curtos períodos de tempo;
c. Há dias em que parece que eu não posso pensar em mais nada a não ser em comida. Sinto como se eu vivesse para comer.

11. Quanto aos meus impulsos por comida:
a
. Normalmente eu consigo parar de comer quando eu quero. Eu sei quando já é suficiente;
b. Às vezes, eu tenho uma compulsão para comer que não posso controlar;
c. Frequentemente tenho fortes impulsos para comer que parece que sou incapaz de controlar.

RespostasMaioria A. Muito bem! Você não apresenta compulsão alimentar e come mais pelo prazer e necessidade do que pela falta de controle. Consegue ter autocontrole e equilíbrio em sua alimentação. Continue atento aos seus hábitos alimentares, planejando sempre o horário, a qualidade e a quantidade das refeições.Maioria B. Fique atento! Preste atenção em seus hábitos alimentares. Verifique se você muda constantemente de dieta; se apresenta longo histórico de excesso de peso; se engorda e emagrece; se come sem fome; se não consegue aderir a um plano nutricional; se auto-sabota; se parece fazer exatamente o oposto do que deveria fazer; se sabe o que fazer, mas não consegue fazer aquilo que sabe que deveria; se come compulsivamente… Pode ser que você tenha compulsão alimentar moderada.Maioria C. Cuidado! Você provavelmente sofre de Compulsão Alimentar Grave. A compulsão alimentar é caracterizada pela ingestão de grande quantidade de comida em curto espaço de tempo, acompanhada por sensação de falta de controle sobre o que e o quanto come. Nos “ataques de comilança” a pessoa come sem fome, por ansiedade, stress, depressão ou qualquer outra emoção, ingerindo o alimento praticamente sem mastigar, muito depressa, e, muitas vezes, às escondidas. Depois, vem o sentimento de culpa e de autodepreciação. Saia desse círculo vicioso! Procure um profissional da área de saúde (psicólogo, nutricionista, endocrinologista ou psiquiatra) e faça uma avaliação. Não desista, há tratamento para isto!

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Um infográfico interessante publicado no G1:

infografico compulsao alimentar

Fonte

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Uma figura ilustrativa:

ciclo compulsao alimentar

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Para descontrair, uma das excelentes crônicas do Luiz Fernando Veríssimo (do livro A Mesa Voadora):

O come e não engorda

Ninguém é mais admirado ou invejado do que o come e não engorda. Você o conhece. É o que come o dobro do que nós comemos e tem metade da circunferência e ainda se queixa:

– Não adianta. Não consigo engordar.

O come e não engorda é meu ídolo. Só não lhe peço autógrafo por inibição. Meu sonho é emagrecer e depois nunca mais engordar, por mais que tente. Quando eu diminuir, quero ser um come e não engorda.

Não se deve confundir o come e não engorda com o enfastiado. Este pertence a outra espécie. Não é humano. Pode até ser melhor do que nós, um aperfeiçoamento, mas não é humano. Afinal, o que une a humanidade é o seu apetite comum. Não é por nada que partilhar da comida com o próximo tem sido um símbolo de concórdia desde as primeiras cavernas. Até hoje as conferências de paz se fazem em volta de uma mesa onde a comida, se não está presente, está implícita. Desconfie do enfastiado. Ele será um agente de outra galáxia ou um poço de perversões, ou as duas coisas. De qualquer maneira, mantenha-o longe das crianças. Quando encontrar alguém na frente de um prato cheio só emparelhando as ervilhas com a ponta da faca, notifique os órgãos de segurança. É um enfastiado e pode ser perigoso. Sempre achei que as pessoas que comem como um passarinho deviam ser caçadas a bodoque. O seu fastio, inclusive, é um escárnio aos que querem comer e não podem.

Já o come e não engorda compartilha do nosso apetite, só não compartilha das conseguências. Ele repete a massa e não tem remorso. Pede mais chantily e sua voz não treme. Molha o pão no café com leite! E ainda se queixa:

– Há 15 anos tenho o mesmo peso.

O come e não engorda só parou de mamar no peito porque proibiram sua mãe de ficar junto no quartel. Quando o come e não engorda nasceu, uma estrela misteriosa apareceu no Guide Michelin de restaurantes para aquele ano. O come e não engorda caminha sobre a sauce bernaise e não afunda. Multiplica os filés de paixe à meunièree os pães de queijo. Por onde o come e não engorda passa, as ovelhas se atiram para trás e pedem “me assa!”. O come e não engorda tem o segredo da Vida e da Morte e, suspeita-se, o telefone da Bruna Lombardi. E ainda se queixa:

– Tenho que tomar quatro milk-shakes entre as refeições. Dieta.

Dieta! E você ali, de olho arregalado.

Confira o livro aqui.

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